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Juliana e Papudinho
Com o Papudinho foi assim: chegou e ficou. Chegou em companhia de outro cãozinho que estava muito doente e prontamente foi acolhido e tratado por uma moradora do Jardim Anchieta em Bragança Paulista.
O Papudinho, muito esperto, ficou pela rua, pois logo percebeu que os moradores não eram de espantar os animais. O Anderson colocava um paninho para ele dormir no cantinho da calçada, outros davam comida, água, recebia um afago aqui outro lá... Aliás, Papudinho recebeu esse nome porque tem um papão, resultado de uma disfunção da glândula salivar.
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Os dias passaram, e o Papudinho, cada vez mais aceito pelos moradores, foi se sentindo dono da rua. Começou a latir para estranhos e a correr atrás de carros e motos que passavam por lá. Aí começaram as reclamações. Mas Papudinho só queria ajudar!
A Juliana, moradora da esquina, tomou partido do Papudinho. Afinal, ele só latia para estranhos, não mordia nem incomodava ninguém, estava simplesmente tomando conta da rua e de seus amigos moradores que o acolheram tão bem. Houve reclamações dos prédios e de ruas vizinhas, começaram a jogar pedras no Papudinho e a bater na casa da Juliana para tomar satisfações.
A estratégia da Juliana e de sua família foi ignorar essas reclamações. Afinal de contas, ninguém estava infringindo qualquer lei, o Papudinho era um cão “livre” e não colocava em risco nenhum morador.
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Preocupada com sua segurança, a Juliana até tentou doar o Papudinho através da Faros d’Ajuda. Mas era difícil. Papudinho, embora simpático e afetuoso, era um cão adulto, comum, e tinha um papão. A família da Juliana não podia ficar com o Papudinho em casa. Eles já cuidavam da Babi, do Rafael e da Hanna, acomodados num espaço bem pequeno.
O jeito era manter o Papudinho na rua. Para evitar problemas com humanos e mantê-lo protegido, Juliana assumiu de vez o Papudinho e tomou algumas providências: colocou uma casinha em sua calçada com água e comida que toda a vizinhança troca (outro dia levaram dois bifes para ele); levou o Papudinho ao veterinário, lá no seu Anésio, deu todas as vacinas e colocou uma coleira. Pronto. Papudinho estava regularizado, com os “documentos em dia”.
Juliana é um exemplo de ajuda aos milhares de animais que estão soltos pela rua. Como ela, felizmente, existem muitas pessoas tomando a mesma iniciativa. Na mesma rua, dona Nair também acolheu mais dois integrantes e patrocinou a castração da fêmea.
Juliana ganhou pela persistência e pela tranqüilidade em lidar com as reclamações. Agora, todos percebem que o Papudinho late para “alguns estranhos” - eu fui recebida à casa de Juliana apenas com uma “cheiradinha de verificação”. |



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Babi e Rafael, os gatos, eram filhotes doentes da rua. |
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Hanna, uma pastora de 40 kg, que se dá muito bem com todos, inclusive com o Papudinho... |

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... que agora tem casa própria... |
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... e patrulha a rua com mais dois colegas. |
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Márcia Davanso | fevereiro07 |
